O livro investiga a Shindo Renmei, ou Liga do Caminho dos Súditos, grupo radical criado por japoneses de São Paulo que acreditavam, após o término da 2º Guerra, na vitória do Japão.
Esse sentimento era comum entre os imigrantes. A grande maioria dos japoneses no estado, estima-se que 80%, duvidava da derrota para os aliados. Uma explicação era a condição em que viviam nos anos 40: reprimidos pelo governo brasileiro, sem acesso a jornais, rádio e informações confiáveis. Neste cenário, não era absurdo achar que a rendição do imperador poderia ser propaganda americana.
Só que a Shindo Renmei levou essa idéia ao extremo: perseguiu os imigrantes que aceitaram a derrota do Japão, chamados de "derrotistas" ou "corações sujos". Entre janeiro de 1946 e fevereiro de 1947, a organização matou 23 pessoas e feriu mais de 100.

O diretor do filme, Vicente Amorim, diz que não se concentrou apenas na história da Shindo-Renmei, mas nos conflitos dentro da colônia japonesa neste momento delicado.
O filme é narrado pela mulher de um imigrante empenhado em divulgar a vitória do Japão. Em meio à confusão da época, ela vê seu marido se transformar num assassino.
Como boa parte do filme é falado em japonês, quase todos os protagonistas são atores trazidos do Japão, nomes de peso que você já viu em grandes produções como Cartas de Iwo-Jima, O Último Samurai, A Partida e Kill Bill. O único brasileiro com papel de destaque é Eduardo Moscovis, que vive um subdelegado que investiga os crimes.
O programa Zoom, da TV Cultura, fez esta matéria sobre a produção.
Saiba mais no blog do filme: http://coracoes-sujos.mixer.com.br