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17 de abr. de 2010

Tsurus e abutres no deserto da Califórnia

Suikai foi pro Coachella e deu de cara com um tsuru gigante no meio do festival. Será que um tsuru desse tamanho vale por mil? Ninguém sabe, mas muitos desejos foram realizados.



O tsurão mudava de cor o tempo todo.





Muitos shows imperdíveis. Mas o Suikai foi mesmo pra ver seus primos americanos mal-encarados, Them Crooked Vultures: Josh Homme (Queens of The Stone Age), John Paul Jones (Led Zeppelin) e Dave Grohl (Foo Fighters, Nirvana).



E o show foi inacreditável. Ainda mais legal do que qualquer um poderia esperar.







4 de abr. de 2009

Mil Tsurus, Yasunari Kawabata

Publicado originalmente em capítulos por revistas japonesas, este romance foi escrito entre os anos 1949 e 1951, período de reconstrução de um Japão devastado pela Segunda Guerra. Nesse contexto em que a sociedade japonesa se reestruturava e também se defrontava com valores culturais vindos do Ocidente, Kawabata resgata valores tradicionais de seu país, fazendo da cerimônia do chá o pano de fundo para a história de Mil tsurus.

Kikuji Mitani é um jovem que, durante uma cerimônia do chá, reencontra duas antigas amantes de seu falecido pai, Chikako Kurimoto e a viúva Ota, e de repente se vê profundamente envolvido com elas. Enquanto Chikako tenta arranjar um casamento para Kikuji, este inicia um inesperado romance com a senhora Ota, que por sua vez tem uma filha chamada Fumiko, de quem Kikuji também irá se aproximar. Mas há ainda Yukiko, a delicada jovem pretendente a se casar com Kikuji, personagem que representa serenidade num ambiente repleto de ressentimentos e intrigas. Não é por acaso que a moça é descrita usando um lenço de seda ilustrado com tsurus, ave que simboliza nobreza e felicidade na tradição japonesa.

Nessa história em que o passado, através da figura do pai do protagonista, desperta sentimentos em conflito, Kawabata demonstra, mais uma vez, seu profundo conhecimento da antiga cultura de seu país e enaltece a importância da arte oriental, representada nas cerâmicas seculares do ritual do chá. Ao mesmo tempo em que discorre sobre a permanência da arte no decorrer dos séculos, sobrevivendo a gerações, o autor nos mostra o lado efêmero da vida e das relações humanas.

No Brasil, a obra foi publicada pela primeira vez no início dos anos 70, sob o título Nuvens de pássaros brancos (Ed. Nova Fronteira), emprestando-se o título da edição francesa (Nuée d'oiseaux blancs). Preferimos nos reportar ao título original japonês, Senbazuru correspondendo a Mil tsurus.

Veja resenha de Cristovao Tezza

YASUNARI KAWABATA



Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações.

Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês.

Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais dacorrente neo-sensorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais.

Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos.

Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.

Hoje é dia de origami!





O tsuru (grou) é um pássaro japonês considerado sagrado. Segundo a lenda, ele vive 1000 anos e por isso é associado à longevidade e à saúde. É um dos origamis mais populares e mais executados no mundo todo. Sua forma básica é utilizada como base para produzir outros origamis, por isso também é chamado de dobradura perfeita.

Diz uma lenda que quem fizer mil tsurus, com o pensamento voltado para aquilo de deseja alcançar, vai alcançar seu desejo. Existe ainda o costume de oferecer a um doente mil tsurus para que ele se restabeleça o quanto antes.

Uma história mais recente conta que, em 1955, Sadako Sasaki, uma menina japonesa de 12 anos, teve leucemia por causa da radioatividade em Hiroshima. Sua amiga lhe contou a lenda e no hospital ela fez muitos tsurus, mas não conseguiu chegar a mil e morreu. Seus colegas de escola completaram o número e decidiram fazer uma campanha pra levantar um monumento em homenagem às crianças feridas ou mortas pelo efeito da bomba. Em 1958, foi construído em Hiroshima o Monumento das Crianças à Paz, também conhecido como Torre do Tsurus. Todos os anos, milhares de tsurus vindos de vários países são colocados no local.